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Uploaded 21 Ekim 2016 Cuma

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yer  Favela do Rato, Pernambuco (Brazil)

É fato que, nos dias de hoje, o Recife tem se tornado cada vez mais desumana. Razão reside parte na secular falta de infraestrutura, leia-se carência de alimentação, saneamento básico, segurança, educação, saúde, habitação, mobilidade... E parte na releitura de relações sociais reminiscentes das oligarquias sucroalcooleira, leia-se a permanência da Casa Grande e da Senzala, que aprofundam o fosso social e resgatam o dito popular: “quem não era Cavalcanti era cavalgado”.
Como resistir e ao mesmo tempo superar esse estado de coisas que afligem nossa cidade, ainda com a crise institucional solapando o Brasil, pondo políticas públicas de inclusão social na geladeira do impasse político. É bem certo que as redes sociais fazem sua parte, denunciando e propondo debates, todavia nem sempre enriquecedores e/ou instrumentais. Optamos por uma experiência que deu certo, em um passado recente, as táticas de guerrilha, mas no nosso caso só no formato educativo e cultural. Então, senta que lá vem à pergunta, mas como assim?
A ideia é formar pequenos grupos de caminhantes para, em movimento, discutir temas que resgatem a autoestima da Manguetown. Diálogos nas andanças sobre uma Recife que tem no seu DNA revoluções libertárias pela equalização dos Direitos Civis. Colóquios ao ar livre a respeito do nosso acervo cultural construído em quase 500 anos de história, sob a perspectiva dinâmica arte - música, literatura, teatro, dança, pintura, escultura e cinema e o que mais for proposto como ação propositiva visando à humanização da cidade que escolhemos para viver.
Iniciamos nossa peleja , parafraseando o Professor Jomar Muniz de Brito, com um atentado poético, onde mostramos a riqueza da poesia e da música pernambucana através do legado de seus grandes MULTIARTISTAS, todos imortalizados nas treze estátuas espalhada pela nossa urbe, que formam o Circuito da Poesia, criadas, em sua maioria, pelo arquiteto piauiense Demétrio Albuquerque . O passeio/exposição iniciou na Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus e terminou na Praça Maciel Pinheiro e as considerações finais, em forma de sarau gastroetílico, foi em um casarão da época do Império (1879), localiza do na Rua Visconde de Goiana, o já famoso Armazém do Braz.
Nome Artístico: Antônio Maria Nome de Batismo: Antônio Maria Araújo de Morais Nascimento: 17 de março de 1921 Óbito: 15 de outubro de 1964 Vida: Neto e filho de usineiros, em suas crônicas denota-se que teve uma infância feliz, nelas nos conta, entre outros assuntos, sobre a mãe carinhosa, os tempos de colégio, as aulas de música, as lições de francês, os mergulhos no rio, os "banhos salgados" e as férias na Usina Cachoeira Lisa (Gameleira). Teve um rico ciclo amizade ao longo de sua existência, foi amigo de personalidades como Aracy de Almeida, Fernando Lobo, Abelardo Barbosa, Dorival Caymmi, Di Cavalcanti, Jorge Amado e Vinícius de Moraes. Fez de um tudo na indústria do entretenimento, foi jornalista, um dos maiores cronistas brasileiros do seu tempo, locutor esportivo, produtor de rádio, compositor de jingles(ex. remédio Auricedina) e de sucessos inesquecíveis, poeta, radialista, produtor e diretor de shows e programas de televisão, mas sua marca maior foi a boemia. Sua iniciação pela busca dos prazeres noturnos passa pelo Cabaré Imperial (Av. Alfredo Lisboa, nº 345, 1º Andar) bem como em um pequeno bar chamado Gambrínus. Obras: Algumas de suas músicas, Se eu Morresse Amanhã, Manhã de Carnaval, Samba do Orfeu, O Amor e a Rosa, As Suas mãos, Valsa de uma Cidade, Canção da Volta, Menino Grande e Ninguém me Ama. Curiosidade: Como todo boêmio, amou muitas mulheres. A última grande paixão de Antônio Maria foi Danusa Leão, que ele roubou do proprietário do jornal Última Hora, Samuel Wainer, e por isso foi demitido, passando cinco meses desempregado. Nat King Cole, que gravou Ninguém me ama e Tuas mãos. Era Cardisplicente e dado ao esbanjamento. Um pouco do autor: Frevo nº 1. Ô Ô saudade Saudade tão grande Saudade que eu sinto Do Clube das Pás, do Vassouras Passistas traçando tesouras Das ruas repletas de lá Batidas de bombos são maracatus retardados Chegam da cidade cansados Com seus estandartes no ar. Que adianta se o Recife está longe E a saudade é tão grande Que eu até me embaraço Parece que eu vejo Walfrido Cebola no passo Haroldo, Mathias, Colaço Recife está dentro de mim.
Nome Artístico: Chico Science Nome de Batismo: Francisco de Assis França Nascimento: Olinda - 13 de março de 1966 Óbito:Olinda - 02 de fevereiro de 1997 Vida: Foi uma criança como qualquer outra, criada em um bairro pobre e de família humilde, mas batalhadora e um pouco conservadora, com regras e limites estabelecidos. Era fã de James Brown e de outros artistas importantes da soul-music norte-americana. Sua passagem pelo hip hop impregna sua arte - poesia, música e letra - de liberdade para pensar e criar em cima de situações cruéis da sociedade contemporânea. Procurou unir a tradição cultural, a linguagem, o povo e as suas necessidades. As letras eram direcionadas à realidade de uma sociedade que clama por um mundo mais ético e menos cruel. Questionava, propunha mudanças e justiça social, através de uma linguagem crítica do homem/caranguejo/mangue/urbe, queria uma sociedade democrática e justa. Como artista popular e crítico social, Chico Science soube desempenhar bem o seu papel, semeou a arte criativa e o sentimento de defesa da cidadania e do patrimônio sociocultural, com fortes raízes fincadas na lama do mangue pernambucano e brasileiro, com o propósito de mostrar e conectar o Brasil ao mundo. Curiosidade: No ano de 2007 a Fiat foi condenada a pagar à família do cantor uma indenização de quase 10 milhões de reais, considerada uma das maiores já paga por uma empresa automobilística no Brasil. Gil considerava Chico Science (juntamente com o grupo baiano Olodum e o compositor Carlinhos Brown) como "O que surgiu de mais importante na música brasileira nos últimos vinte anos". Um pouco do autor: Tô enfiado na lama/ é um bairro sujo/onde os urubus têm casas/ e eu não tenho asas [...] ando por entre os becos/andando em coletivos/ ninguém foge ao cheiro sujo/ da lama da manguetown [...] Manguetown
Nome Artístico: Ascenso Ferreira Nome de Batismo: 1. Anibal Torres e 2. Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira. Nascimento: 09 de maio de 1895(Rua dos Tocos - Palmares). Óbito: Recife - 05 de maio de 1965 Vida: Balconista de armazém de secos e molhados (aos 13 anos), poeta, folclorista, abolicionista, colaborou com muitos jornais e revistas, foi escriturário da Secretaria da Fazenda. Ciclo de amizade, dentre outros, Joaquim Cardoso, Gilberto Freire, Luís da Câmara Cascudo, Manuel Bandeira e Pablo Neruda. Figura exótica, gordo, alto e sempre com chapéu de abas largas, adorava comer e fumava sempre um grande charuto. Era boêmio, recitava seus versos com grande personalidade e graça. Obra: sua poesia é considerada um dos marcos do Modernismo brasileiro. Sua obra foi marcada por forte nostalgia do processo de transformação que ocorreu na Zona da Mata, quando engenhos desapareceriam e em seu lugar surgiam as usinas. Possuía um aguçado sentido de ritmo. Através de seus poemas, conseguia fazer com que as pessoas ouvissem, por exemplo, o trem de Alagoas correndo sobre os trilhos. [...]Mangabas Maduras, mamões amarelos, mamões marelos, que amostram molengas as mamas macias pra gente mamar[...] Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, com vontade de chegar[...] Curiosidade: Nasceu Anibal Torres, mas com a maior idade trocou o nome para Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira, em homenagem a sua mãe, a professora Maria Luísa Gonçalves Ferreira, cujo apelido era Dona Marocas. Em 1945, aos 50 anos, passa a viver com a adolescente Maria de Lourdes, com quem teve uma filha, em 1948. Um pouco do autor: Misticismo n.2 O espírito-mau entrou no meu couro! Entrou no meu couro algum mangangá E eu quero mulheres... Mulheres... Mulheres... Curibocas! Mamelucas! Cafusas... Caboclas viçosas de bocas pitangas! Mulatas dengosas caju e cajá! Mulheres brancas como açúcar de primeira! Mulheres macias como a penugem do ingá! Mas sempre mulheres... Mulheres... Mulheres... (Ô lelê) Todas formosas, Todas belas, Todas novas... (Ô lalá) Deitadas molengas em folhas macias! Na sombra rajada das bananeiras lentas Iluminadas por um sol-das-almas! Só para eu, Devagarinho, Fazer com elas! “Pinicaínho Da barra do 25 Mingorra mingorra Tire estão que está forra...”
Nome Artístico: Joaquim Cardoso Nome de Batismo: Joaquim Maria Moreira Cardoso Nascimento: Recife - 26 de agosto de 1897 Óbito: Olinda - 04 de novembro de 1978 Vida: Origem humilde. Foi o elo definitivo na cadeia de fatores que levaram a obra de Niemeyer ao patamar de reconhecimento que possui. Se foi Niemeyer a criar esses tempos na arquitetura, quem os materializou foi Cardoso. Ciclo de amizade, entre outros, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Domingos Ferreira. Obras: publicou seu primeiro livro aos 50 anos idade e morreu sem ter o reconhecimento do grande público. Mas os críticos sempre o classificaram como um dos maiores poetas da língua portuguesa do século XX. O Coronel de Macambira temos um poeta a explorar o rico e singelo filão folclórico do Nordeste, para Satirizar a exploração do homem do campo pelos “coronéis” e proprietários rurais. Artista do verso, das metáforas, das associações verbais, da economia da expressão, da sintaxe e ritmos cheios de sutileza e sugestividade. Curiosidade: Doou sua biblioteca, com aproximadamente 7.500 títulos, à UFPE. O desabamento da construção do Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte, 1971, foi o maior acidente da construção civil do país. Um pouco do autor: (...) A várzea tem cajazeiras... Cada cajazeira um ninho Que entre o verde e o azul oscila; Mocambo de passarinho... (...) Nessa várzea sou planície, vaga dimensão dormente, tendida no chão conforme sou de mim sombra somente. Rumos de céus desvelados onde chego e me afugento? - já me escuto como em sonho de tão longe que me ausento! Em redes de ramos verdes me estendo como um caminho, me espreguiço dessa várzea, e me embalo desse ninho.
Nome Artístico: Augusto dos Anjos Nome de Batismo: Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos Nascimento: Cruz do Espírito Santo(PB), 20 de abril de 1884 Óbito: Leopoldina(MG), 12 de novembro de 1914 Vida: Nasceu em Engenho de Pau d’Arco(PB), onde viveu até os 24 ano, tendo acompanhado a ruína X financeira da família. Formado em Direito no Recife, não a profissão. Lecionou Literatura na Paraíba e no Rio de Janeiro. Transferiu-se para Minas Gerais, exercendo o cargo de diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, cidade onde morreu de pneumonia.. Obra: A poesia de Augusto dos Anjos não encontra paralelo em nossa literatura, no que diz respeito ao vocabulário e à temática de grande parte dos poemas: a decomposição, a podridão, gerando sofrimento e morte. Nesse terreno é que se move o verme, agente da destruição e figura recorrente em seus poemas. Curiosidade: Há registros de que Augusto dos Anjos disse em seus últimos instantes de vida, “[...] pediu à esposa que os filhos fossem educados na Paraíba de seus antepassados, despediu-se da esposa, abençoou os filho pequeninos e pediu que mandasse dizer a Dona Mocinha que seu derradeiro pensamento era em sua homenagem: ‘Mande as minhas lágrimas para minha mãe’”. Um pouco do autor: Um trecho do seu livro de estreia, Eu: E muitas vezes, à meia noite, rio Sinistramente vendo o verme frio Que há de comer a minha carne toda! Versos íntimos Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a ingratidão – esta pantera- Foi a sua companheira inseparável. Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre as feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende o teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém cauda inda pena a tua chaga, Apedreja esta mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! Trecho do poema “As cismas do destino” E aprofundando o raciocínio obscuro, Eu vi, então, à luz dos áureos reflexos, O trabalho genésico dos sexos, Fazendo à noite os homens do Futuro.
Nome Artístico: Manuel Bandeira Nome de Batismo: Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho Nascimento: Recife, 19 de abril de 1886 Óbito: Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968 Vida: além de poeta , foi jornalista, cronista, tradutor, membro da ABL, professor de história da literatura do colégio PedroII e de literatura hispano-americana da Faculdade do Brasil, crítico literário e crítico de arte. Foi um dos nomes mais importantes do modernismo Obra: A tuberculose e a poesia andaram juntas no começo de sua carreira. Temas abordados: paixão pela vida, a morte, o amor, o erotismo, a solidão, o cotidiano e a infância. Não utilizou os esquemas métricos, nem rimas, ou qualquer outro padrão musical, mas preocupou-se tão somente com o ritmo e musicalidade natural da fala ou leitura. Poema “os Sapos”, lido por Ronald de Carvalho e 1922. Curiosidade: Faleceu em decorrência de uma úlcera no duodeno, aos oitenta e dois anos de idade. Confessava sempre, porém, que as suas raízes mais profundas estavam fincadas em Petrópolis e, não, no Recife. Um pouco do autor: Evocação do Recife Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras mexericos namoros risadas A gente brincava no meio da rua Os meninos gritavam: Coelho sai! Não sai! A distância as vozes macias das meninas politonavam: Roseira dá-me uma rosa Craveiro dá-me um botão (Dessas rosas muita rosa Terá morrido em botão...) De repente nos longos da noite um sino Uma pessoa grande dizia: Fogo em Santo Antônio! Outra contrariava: São José! Totônio Rodrigues achava sempre que era são José. Os homens punham o chapéu saíam fumando E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo. Rua da União... Como eram lindos os montes das ruas da minha infância Rua do Sol (Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal) Atrás de casa ficava a Rua da Saudade... ...onde se ia fumar escondido Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora... ...onde se ia pescar escondido Capiberibe — Capiberibe Lá longe o sertãozinho de Caxangá Banheiros de palha Um dia eu vi uma moça nuinha no banho Fiquei parado o coração batendo Ela se riu Foi o meu primeiro alumbramento Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras Novenas Cavalhadas E eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus cabelos Capiberibe — Capiberibe Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas Com o xale vistoso de pano da Costa E o vendedor de roletes de cana O de amendoim que se chamava midubim e não era torrado era cozido Me lembro de todos os pregões: Ovos frescos e baratos Dez ovos por uma pataca Foi há muito tempo... A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem Terras que não sabia onde ficavam Recife... Rua da União... A casa de meu avô... Nunca pensei que ela acabasse! Tudo lá parecia impregnado de eternidade Recife... Meu avô morto. Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô.
Nome Artístico: João Cabral de Melo Neto Nome de Batismo: João Cabral de Melo Neto Nascimento: Recife, 06 de janeiro de 1920 Óbito: Rio de Janeiro, 09 de outubro de 1999 Vida: Passou a infância em engenhos de açúcar. Foi frequentador do café Lafayette – ponto de encontro de intelectuais que viviam no Recife. Foi diplomata, viveu em diversos países, todavia a Espanha, em especial Sevilha, deixará marcas em sua obra. Foi um escritor premiado. Obra: Produziu uma poesia de caráter objetivo, ou seja, com uma linguagem sem sentimentalismos. Para ele poesia não é fruto de inspiração em razão do sentimento, mas de transpiração, fruto de um trabalho paciente e lúcido. Procurou dar a cada palavra o máximo de conotação. Escreveu de forma despojada, preferindo os substantivos concretos e o emprego moderado de adjetivos. Havia uma preocupação com a realidade social, era um profundo conhecedor dos problemas sociais brasileiros, passou em sua obra uma preocupação fundamental sobre eles. Curiosidade: Primo de Manuel Bandeira e Gilberto Freire. Era atormentado por uma dor de cabeça intermitente. Um pouco do autor: Tecendo a manhã 1 Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. 2 E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Nome Artístico: Capiba Nome de Batismo: Lourenço da Fonseca Barbosa Nascimento: Surubim, 28 de Outubro de 1904 Óbito: Recife, 31 de Dezembro de 1997. Vida: oriundo de uma família de músicos, ele começou tocando trompa, mas se dedicou mais ao piano, inclusive atuou em cinema mudo, folião inveterado, ainda é um ícone do nosso carnaval, teve contato e influência recíproca com Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira, Carlos Penna Filho, Fernando Lobo, Manuel Bandeira, Mauro Motta, Vinícius de Morais entre outros. Defendia aquilo que chamamos de pernambucanidade. Não sucumbiu ao tropicalismo. Obras: além dos frevos, compôs tangos, valsas, modinhas, choros e peças eruditas (“A Grande Missa Armorial”). Alguns de seus sucessos: Maria Betânia, Serenata Suburbana, A mesma Rosa Amarela, É de Amargar, Ô Bela, Frevo e Ciranda. Sua música foi gravada por diversos artistas de renome nacional. Curiosidade: foi inspirado na morte do irmão, Sebastião, que ele compôs “É de Amargar”(Eu bem sabia...). O futebol foi sua segunda paixão, tricolor, foi autor do hino “do mais querido”. Foi funcionário do Banco do Brasil. Sofria de dislalia(tato, engolia letras).  Frevo patrimônio imaterial brasileiro, ritmo e dança únicos associado a uma cidade, o Recife. Um pouco do autor: Frevooooo!
Nome Artístico: Mauro Mota Nome de Batismo: Marcos Ramos da Mota e Albuquerque Nascimento: 16 de agosto de 1911 Óbito: 22 de novembro de 1984 Vida: poeta, cronista, ensaísta, memorialista, folclorista, jornalista e gestor de instituições culturais. Formado em direito, professor de história, catedrático de Geografia do Brasil, colaborador da imprensa. Membro da ABL. Exerceu vários cargos comissionados na Administração Pública Obra: Sua poesia é de fundo simbólico, sobre temas nordestinos, retratando dramas cotidianos em linguagem natural e espontânea. A morte de sua 1ª esposa o inspirou em inúmeras poesias. Observa-se um equilíbrio entre as temáticas urbanas e rurais, impressas no autor que nasceu no Recife e passou a infância em Nazaré da Mata. O sentimento da sua poesia e a reflexão de sua prosa. Ele era realmente um artista da palavra, obcecado com toda a potencialidade que a língua lhe oferece. Sua poesia pode ser chamada de rurbana. Segundo Gilberto Freyre, Mauro Mota é: “o mais recifense dos poetas recifenses. O mais intenso. O mais constante”. Curiosidade: Câmara Municipal do Recife que instituiu o dia de nascimento do escritor — 16 de agosto — como o Dia do Poeta Recifense. Um pouco do autor: Elegias As mãos leves que amei. As mãos, beijei-as nas alvas conchas e nos dedos finos, nas unhas e nas transparentes veias. Mãos, pássaros voando nos violinos. Abertas sempre sobre os pequeninos, Mãos de gestos de amor e perdão cheias. Mãos feitas para construir destinos no céu, no mar, nas tépidas areias. As mãos que amei em todos os instantes A carícia das mãos que iam colhê-las Eram as rosas que colhiam antes. Se parecem dormir, não as despertes. As mãos que amei, que desespero vê-las Cruzadas, frias, lânguidas, inertes!”
Nome Artístico: Carlos Pena Filho Nome de Batismo: Carlos Souto Pena Filho Nascimento: Recife - 17 de maio 1928 Óbito: Recife - 02 de junho de 1960 Vida: cursou o primário e ginasial em Portugal. Foi procurador do Serviço Social contra Mocambo. Muito cedo começou a escrever e manifestar sua vocação poética. Colaborou com vários jornais. Membro de uma geração que se interessava muito pela política, pela sociologia, pela literatura e muito pouco pela ciência do Direito. Obra: seus traços pessoais - comunicativo, culto, sorridente, cordial, tolerante e compreensivo - refletiam em sua obra, essa revelava sentimento de delicadeza e cuidado para não ofender as pessoas e as ideias. Em parceria com Capiba, foi autor de letras de música de sucesso, exemplo “A mesma rosa amarela”. Conhecido como poeta do azul, seus versos são tingidos de beleza. Sua poesia, criativa e sensível, é repleta de musicalidade e tem um forte apelo visual. Curiosidade: morreu jovem em um acidente automobilístico. Seu apelido era berro d’agua. Um pouco do autor: O CHOPE Na avenida Guararapes,/ o Recife vai marchando./ O bairro de Santo Antônio,/ tanto se foi transformando/ Que, agora, às cinco da tarde/ mais se assemelha a um festim,/ O refrão tem sido assim: são trinta copos de chope,/ são trinta homens Sentados, trezentos desejos presos,/ trinta mil sonhos frustrados.
Nome Artístico: Solano Trindade Nome de Batismo: Francisco Solano Trindade Nascimento: Recife – 24/07/1908 Óbito: Rio de Janeiro – 19/02/1974 Vida: Filho da quituteira Emerenciana e do sapateiro Manoel Abílio, viveu em um lar católico, apesar de seu pai incorporar entidades às escondidas. Estudou até o equivalente ao Segundo Grau, pois chegou a frequentar o curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Participou do I Congresso Afro-Brasileiro em Recife, em 1934, e do II Congresso Afro-Brasileiro realizado em Salvador, em 1937. Ainda em Recife fundou, com o pintor primitivista Barros Mulato e o escritor Vicente Lima, a Frente Negra Pernambucana e o Centro Cultural Afro-Brasileiro para divulgação das obras dos intelectuais e artistas negros. No final da década de 30 deixa o Recife, e vai viver em Pelotas/RS, onde fundaria o Grupo de Arte Popular de Pelotas, embrião dos projetos de teatro popular que o mobilizariam por toda a vida. Em 1942, o poeta fixou residência no Rio de Janeiro e passou a trabalhar no Serviço Nacional de Recenseamento do IBGE. Morando no município de Caxias, após filiar-se ao partido Comunista de Luiz Carlos Prestes, Solano Trindade fez em Caxias a célula Tiradentes, na qual se reuniam operários e camponeses da Baixada Fluminense. Neste período, pegando o trem da Leopoldina para trabalhar no IBGE, no centro da cidade do Rio, ele escreve Tem Gente Com Fome, publicada no livro “Poema de Uma Vida Simples”, de 1944. Em função de sua militância política foi preso duas vezes durante o Estado Novo, tendo o seu livro apreendido. Ainda no Rio iria conviver com intelectuais, jornalistas e artistas, que contribuíram para ampliar e consolidar seus referenciais estéticos e políticos. Neste período, reuniam-se no "Café Vermelhinho" para discutir e conversar com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, políticos e jornalistas. Em 1945 funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Na década de 1950, fundaria com sua esposa Margarida e o sociólogo Edison Carneiro o Teatro Popular Brasileiro com o qual viaja para a Europa em 1953. O elenco era basicamente formado por operários, domésticas, comerciários e estudantes. Nos espetáculos o grupo apresentava manifestações populares de batuques, congadas, caboclinhos, capoeira e coco. Ainda com sua esposa ajudou Haroldo Costa a montar o Teatro Folclórico, rebatizado posteriormente de Brasiliana. O grupo também viajaria pelo exterior e bateria recorde de apresentação. Solano Trindade foi quem primeiro encenou, em 1956, a peça "Orfeu", de Vinícius de Morais, depois transformada em filme pelo francês Marcel Camus, em 1959. Ainda como ator trabalhou nos seguintes filmes: "Agulha no Palheiro", "Mistérios da Ilha de Vênus" e "Santo Milagroso". Além de ser co-produtor do filme "Magia Verde", premiado em Cannes, e diretor do documentário "Brasil Dança", realizado em Praga. Na volta do exterior, em 1961, juntamente com Claudionor Assis Dias, Tadakio Sakai e Cássio M’Boy, transforma Embu, pequena cidade de São Paulo, num grande centro cultural. O Teatro Popular Brasileiro fazia suas apresentações, atraindo multidões. Este movimento artístico ajudou a dar origem ao nome Embu das Artes, que fez da cidade um lugar conhecido internacionalmente. Lançaria, em 1958, o livro "Seis Tempos de Poesia” e "Cantares ao Meu Povo", em 1961. Na década de 1960 ficaria doente, mudando-se de Embu e indo inicialmente para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro. Em 1964, um dos seus quatro filhos, Francisco, morreu assassinado num presídio carioca durante a ditadura militar, debilitando ainda mais seu estado de saúde. Obra: A poesia de Solano o marcou. Sensível às injustiças, denuncia as condições de vida às quais o povo é submetido. Talvez, por isso, alguns críticos insistam em ressaltar apenas um lado de sua poesia, dizendo, erroneamente, que ela era mais social do que negra, como se os dois aspectos se excluíssem. Sua poesia, carregada de sentimento, expressa inconformismo, com simplicidade e beleza. Curiosidade: Patriarca de Embu das Artes. Em 1976, voltou aos braços do povo, na avenida. Foi tema da escola de samba Vai-Vai, com enredo elaborado por sua filha Raquel. Os versos do samba de Geraldo Filme ainda ecoam. Um pouco do autor: TEM GENTE COM FOME Trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Piiiiii Estação de Caxias de novo a dizer de novo a correr tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Vigário Geral Lucas Cordovil Brás de Pina Penha Circular Estação da Penha Olaria Ramos Bom Sucesso Carlos Chagas Triagem, Mauá trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dzier tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Tantas caras tristes querendo chegar em algum destino em algum lugar Trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Só nas estações quando vai parando lentamente começa a dizer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer Mas o freio de ar todo autoritário manda o trem calar Psiuuuuuuuuuuu
Nome Artístico: Luiz Gonzaga Nome de Batismo: Luiz do Nascimento Gonzaga Nascimento: Exu(PE), 13 de dezembro 1912 Óbito: Recife, 2 de agosto de 1989 Vida: Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira[. Filho de Januário José dos Santos, sanfoneiro e consertador de instrumentos e Ana Batista de Jesus. Passou toda a sua infância ao lado do pai, acompanhando-o desde os oito anos de idade aos bailes, onde o ajudava a tocar sanfona. Trabalhou também na roça, nas feiras e tomando conta de rebanhos de bode. Em 1924, aos doze anos, comprou sua primeira sanfona, fole de oito baixos, da marca Veado e aos quinze já tinha adquirido prestígio na região como sanfoneiro. Em 1930, por causa de uma paixão frustrada, desentendeu-se com a família e fugiu à pé até o Crato, no Ceará, alistando-se no Exército. Com a eclosão da Revolução de 30 viajou por todo o país com sua tropa. No Exército, ficou conhecido como o Corneteiro 122. Quando recebeu baixa do serviço militar, em 1939, foi para o Rio de Janeiro, na época a capital da república e passou a cantar e se apresentar no Mangue, zona de prostituição da cidade, onde havia muitos cabarés e gafieiras. Apresentou-se no programa de auditório de Ary Barroso, bastante popular na época, cantando música nordestina e conquistou a nota máxima, sendo depois contratado pela Rádio Nacional. Em 1941, gravou seu primeiro disco pela RCA. Com Humberto Teixeira, Zédantas e outros, compôs uma grande quantidade de baiões, toadas, xotes, polcas, mazurcas, valsas, deixando registrada na discografia brasileira mais de 600 músicas. Luiz Gonzaga tornou-se um símbolo cultural brasileiro: subiu em palanques de presidentes da República, animou jantares de reis e chegou, inclusive, a se apresentar no Olimpia de Paris, em 1986. Obra: Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como o relato sobre a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o Sertão Nordestino, ao resto do país, numa época em que a maioria desconhecia o baião, o xote e oxaxado. Curiosidade: Em 1980, cantou para o Papa João Paulo II, em Fortaleza, quando da sua visita ao Brasil. Nessa ocasião, retirou da cabeça o seu chapéu de cangaceiro, que se tornara sua marca registrada e colocou-o, respeitosamente, na cabeça do Papa que o abençoou e disse Obrigado, cantador! Um pouco do autor: Asa Branca Quando ôiei a terra ardendo Quá fogueira de São João Eu perguntei, ai, pra Deus do céu, ai Pruquê tamanha judiação Qui braseiro, qui fornáia Nem um pé de plantação Pru falta d´água perdi meu gado Morreu de sede meu alazão Inté mesmo a Asa Branca Bateu asas do sertão Entonce eu disse, adeus Rosinha Guarda contigo meu coração Hoje longe muitas légua Numa tristea solidão Espero a chuva cair de novo Pra mim vortá pro meu sertão Quando o verde dos teus óio Se apoiá na prantação Eu te asseguro, num chore não, viu? Que eu vortarei, viu, meu coração! toada de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947
Nome Artístico: Clarice Lispector Nome de Batismo: Haia Lispector Nascimento: Tchetchelnik(Ucrânia), 10 de dezembro de 1920 Óbito: Rio de Janeiro Vida: Os Lispector vieram para o Brasil com Clarice recém-nascida e fixaram-se em Alagoas e, mais tarde em Pernambuco. Clarice tinha 12 anos quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Estudou Direito e exerceu o jornalismo. Foi casada com um diplomata e residiu em diversos países. Sua volta definitiva para o Brasil deu-se em 1960. Obra Trouxe muitas inovações para literatura, no que diz respeito à temática, à estrutura da narrativa e à linguagem. O que importa é a sondagem psicológica do individuo, a análise de suas angústias e seus dramas existenciais. O fato em si pouco interessa a narrativa; “o importante é a repercussão do fato no individuo”. Na verdade, um fato ocorrido provoca um mergulho na da personagem no seu mundo interior, em direção ao subconsciente e ao inconsciente. Ruptura com linearidade da narrativa, numa linguagem que transita entre a prosa narrativa e as imagens típicas da poesia, rompe com a linearidade da narrativa. Interessa uma baseada na memória e na emoção, isto é, no fluxo da consciência da personagem, e esse fluxo não segue a ordem cronológica. Monólogo interior, técnica adequada para apreender a introspecção das personagens. Curiosidade: Um pouco do autor: Texto => Medo da eternidade.

3 yorum

  • adriana.correia 24.Eki.2016

    Gostei muito dessa caminhada. Recife é muito bonita, e caminhar por ela tem sido cada vez mais raro, seja pela violência das grandes cidades, trânsito louco e cotidiano a nos absorver. Essa oportunidade foi maravilhosa para revermos os pontos históricos da cidade e as ruas por onde tanto caminhamos há alguns anos. O passeio foi muito bem organizado, e o guia, perfeito, bem informado, criativo, e a turma, muito disposta. Parabéns a todos.

  • Fotoğraf fabio.correia

    fabio.correia 25.Eki.2016

    Obrigado Adriana!
    Já estamos preparando a próxima, dessa vez vai ser Sítio histórico de Olinda. Vamos tentar destacar aspectos pitorescos da Marin do Caétes. Abraço forte! Fábio Correia.

  • Fotoğraf fabio.correia

    fabio.correia 25.Eki.2016

    Fábio, a caminhada foi maravilhosa, tive contato com coisas da nossa cidade que nunca tinha vivenciado, apesar de viver em Recife desde que nasci.
    Alguns poetas sabia algumas informações outros quase nada, estou curtindo bastante essa atividade cultural que iniciamos neste ano. Que venham outras e outras mais. Você está de parabéns e Bena também.
    Até as próximas!

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